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Após curso no IFMT, transexuais destacam mudança no estilo de vida

A pedagoga Luciana Hayalla, nascida em Manaus, foi uma das alunas do primeiro curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) exclusivo para o público LGBT, promovido pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus Rondonópolis. E assim como as outras 10 transexuais, Luciana ficou emocionada durante a entrega dos certificados de conclusão do curso no fim de abril, o que para elas e para o IFMT simbolizou um marco histórico.

Com duração de três meses, o curso FIC de Informática Básica teve o objetivo desde o início de promover não só a inclusão digital, como a social também. Por isso, o IFMT começou o contato e a busca de informações com a comunidade de travestis em vulnerabilidade social em Rondonópolis.  

A primeira intervenção teve o objetivo de conhecer a realidade delas, e ao mesmo tempo buscar agregar no curso os anseios do público alvo. Com isso, além de aprender sobre informática, as Trans tiveram aula sobre comportamento, imagem pessoal, direito, anatomia e química.

Para muitas, o curso foi um divisor de águas no modo como enxergam o mundo. A nossa personagem Luciana Hayalla, é um caso especial por ter ensino superior, pois a maioria não possui nem mesmo o Ensino Médio, porque são muitas vezes expulsas ainda adolescentes da casa da família, o que as levam para a prostituição.

O fato de ser Trans é um obstáculo para Luciana, que desde que se formou em uma instituição pública de Manaus não consegue emprego na área, pois o preconceito a acompanha. E foi no empoderamento delas que o curso buscou trabalhar, para que todas consigam alcançar seus objetivos, independentemente do gênero.

“O que tem que ser quebrado é o preconceito da visualização, o que temos que julgar é o conhecimento. Eu acho que as pessoas devem te julgar pelo seu caráter, dignidade e acima de tudo pela sua formação. Do que adianta você ser formada, ter conhecimento, mas quando chega para ocupar um cargo, não pode porque é transexual ou travesti? Isso fere muito, machuca, porque tudo aquilo que a gente passou e estudou não valeu a pena. Isso faz a gente desmotivar!”, disse Luciana.

O curso, que iniciou de forma tímida, desde o princípio buscou uma maneira de tentar ao final mudar de alguma forma o modo das alunas enxergarem o mundo e de serem vistas pela sociedade, mas essa mudança foi notada ainda no decorrer do curso. Para a presidente do Grupo de Apoio das Travestis e Transexuais de Rondonópolis, Adriana Liario, a principal mudança notada pelas próprias Trans foi o comportamento social e as melhorias na convivência que conseguiram dentro da própria casa e na vizinhança.

“Teve uma frase que apareceu no meio, que se diz assim ‘Não aumente a sua voz, melhore seus conhecimentos’. Foi lá dentro da própria casa, que houve essa mudança. E no bairro inteiro houve mudança também. Tem dois anos que estamos ali, e aí, antes de chegar lá, os vizinhos já falavam que ia ser só bagunça por ser travesti. Falavam muitas coisas negativas. E depois que o Instituto começou a nos buscar com o ônibus, eles vieram falar que estamos dando uma lição para eles, pois achavam que nós éramos uns monstros e hoje veem que somos diferentes”, contou Adriana Liario.

Para o reitor do IFMT, Willian de Paula, a formação da turma de LGBT é a materialização do tema Inclusão. E a primeira turma formada vai fazer parte da história do instituto que vem buscando as pessoas que estão à margem da sociedade.

“Essa ação acampada pelo IFMT Rondonópolis representa a materialização do que a gente vivencia com o tema inclusão. Isso é uma construção, é uma história, um processo, onde a gente percebe essa geração LGBT, essa comunidade dentro do instituto federal. Da forma que são, da forma como agem, como pensam e como acreditam como deve ser a educação. É uma história de realmente fazermos uma inclusão de fato e de direito”, disse o reitor.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)

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