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Programa Minha Comunidade mostra como beneficiou povoados carentes de Alagoas

Vila de pescadores em Jaramataia, comunidade quilombola em Penedo, assentamentos rurais em Maragogi e São Luís do Quitunde. O que esses povoados têm em comum? Todos foram atendidos pelo Programa Institucional de Extensão do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) denominado Minha Comunidade. Os frutos dessa articulação foram apresentados ao público do Congresso Brasileiro de Extensão Universitária - Cbeu 2018, na capital do Rio Grande do Norte, na sexta-feira (29).

Os relatos levados para o evento pelo professor de Geografia Matheus Freitas e pela aluna de Agroindústria Mosanielly Alves, ambos do Ifal Batalha, diziam respeito a ações extensionistas realizadas na colônia de pescadores São Pedro, em Jaramataia, no sertão alagoano. Lá, o docente e demais integrantes do seu projeto atuaram na organização dos saberes e fazeres da comunidade, a partir de estudos sobre a organização daquele espaço, os agentes nele atuantes e a dinâmica da produção pesqueira local.

"Entramos na comunidade em 2016 e detectamos fragilidades na cadeia produtiva, como a participação de atravessadores na comercialização da produção. Percebemos que existem relações entre terra e água que deveriam ser exploradas, como, por exemplo, o desenvolvimento de atividades paralelas no período de reprodução das espécies", destacou Matheus, em sua explanação.

Para o docente, a chegada do programa Minha Comunidade mudou o cenário socioeconômico da região. Iniciativas como realização de oficinas, oferta de capacitação, sistematização do trabalho, organização para o cooperativismo e associativismo deram uma nova cara à localidade. "São quase 50 anos de comunidade, vivendo da pesca. São famílias pobres, com baixo grau de escolaridade, mas que agora estão se articulando em diferentes aspectos. Nosso grande desafio é reconstruir a autoestima coletiva dessa comunidade", afirmou o profissional.

Outro resultado favorável do projeto pode ser visto nas salas de aula do Ifal Batalha: quatro filhos de pescadores da colônia São Pedro são hoje estudantes da unidade de ensino federal e, nas palavras de Matheus, "estão sendo semente de transformação" do povoado onde vivem.

O desejo de gerar impactos positivos levou também a estudante Mosanielly Alves à Jaramataia para desenvolver práticas de conscientização ambiental com as mulheres pesqueiras. “Realizamos oficina de produção de vassouras com garrafa pet e outras atividades”, exemplificou.

Fazendo a diferença em Maragogi - O desempenho do programa Minha Comunidade em outra região alagoana chamou a atenção no 8º Cbeu. A experiência de implantação de espaços comunitários com plantas medicinais em dois assentamentos rurais deu ao professor do Ifal Maragogi André Suêldo conteúdo de sobra para narrar aos expectadores de sua apresentação oral na sexta-feira (29).

Conforme o docente, a troca de saberes entre a equipe do seu projeto de extensão e os moradores do assentamento de Nova Jerusalém, em Maragogi, e do assentamento São Frutoso, em São Luís do Quitunde, trouxe alternativas para a manutenção da saúde daquela população. "Identificamos e coletamos plantas para utilização nos canteiros comunitários, fizemos o plantio de mudas e organizamos rodas de conversa com alunos e agricultores", apontou André.

Aquilo que ele chama de "farmácia caseira" sempre esteve na natureza, ao alcance de todos. No entanto, a ação do Minha Comunidade garantiu a sistematização e disseminação dos conhecimentos populares sobre o uso e manipulação das plantas medicinais. E com todo o arsenal para fitoterapia centralizado no canteiro comunitário, foi facilitado o acesso às matérias-primas necessárias à fabricação de medicamentos naturais, como chás e lambedores.

“Construímos uma cartilha, porque queríamos deixar um material de apoio para consulta, com a catalogação das espécies e o uso adequado para tratamento de enfermidades”, acrescentou o professor, que replicou o projeto em duas escolas públicas da região.

Ainda no litoral norte alagoano, o estudante de Agroecologia Bruno Prado desenvolveu, durante oito meses, projeto de assistência técnica agroecológica vinculado ao programa Minha Comunidade. O trabalho, que envolveu serviço de poda, adubação com matéria orgânica e não orgânica, produção de mudas, implantação de hortas comunitárias e ensino sobre aplicação de defensivo agrícola para controle de pragas, foi apresentado em formato de pôster no segundo dia de Cbeu. "A comunidade atendida tem seus próprios saberes, a gente só amplia esse conhecimento com técnicas científicas", ressaltou o extensionista.

Avanços do programa - Ao apresentar trabalho sobre a integração entre ensino e extensão, o pró-reitor de Extensão do Ifal Altemir Secco explicou o funcionamento e as potencialidades dos programas institucionais de sua pasta, entre eles, o Minha Comunidade. Segundo Secco, a iniciativa está presente em nove campi do Ifal, integrando cursos e ações "independentes, mas interligadas".

O pró-reitor esclareceu que o cunho social dos projetos se deve ao fato de eles terem uma aplicação prática identificada com os anseios da comunidade. "Antes de planejar as atividades, é necessário ir na comunidade, levantar os problemas, ter a aceitação dos envolvidos e aí as ações são direcionadas totalmente às necessidades apresentadas. Por isso, são ações muito representativas, de qualidade, que mostram resultado", destacou o dirigente.

Desde 2014, o Minha Comunidade oferta projetos, cursos e eventos extensionistas, com características dos cursos ofertados pelo Ifal, em comunidades alagoanas que demandam soluções para a melhoria da qualidade de vida, da inclusão social e produtiva e da geração de oportunidades.

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Federal de Alagoas (Ifal)

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