Programa Mulheres Mil ajuda doméstica a superar preconceitos

“As pessoas acham que a mulher negra vinda de periferia, assim como eu, não deve ter oportunidade. Eu gosto do que faço, mas gostaria de ter uma qualidade de vida melhor. O espaço no mercado de trabalho para os negros, infelizmente, ainda é muito limitado”, afirma Viviane Calasans Bruno, 37 anos, doméstica que participou do Mulheres Mil pelo Instituto Federal de Sergipe (IFS), em 2011.

Coincidentemente, Viviane conheceu a iniciativa em um momento que marcou a vida dela, quando escutou da patroa que “negros não deveriam ter nenhuma perspectiva de crescimento profissional”. Foi então que pediu demissão do emprego e não pensou duas vezes: após escutar um carro de som anunciando o Mulheres Mil, ela fez a inscrição no programa porque acreditou que seria uma forma de resgatar a autoestima e confiança em si.

A sergipana participou do curso de Corte e Costura durante um ano. Além de reforçar a renda, as atividades também estabilizaram o seu emocional. “As professoras eram maravilhosas e me deram todo o apoio que eu precisava, me escutavam e davam conselhos. Eu descobri nesse tempo o quanto era capaz de passar por toda essa situação e é isso que faço hoje. Ninguém mais me humilha, me sinto mais valorizada.”

Os efeitos do Mulheres Mil continuam presentes na rotina de Viviane, apesar de fazer sete anos que ela completou o curso. Mãe de seis filhos, ela disse que o programa ajudou, inclusive, na relação com a família. “Eu me tornei mais paciente e meus filhos passaram a ter comida. Quando eles querem comer algo diferente, eu posso dar.”

A doméstica perdeu a mãe aos 18 anos e, para ajudar no sustento da família, precisou abrir mão dos estudos e começou a trabalhar. No entanto, isso não é motivo de desânimo para a sergipana cheia de sonhos. “Tentei terminar o ensino médio, porque até então só tenho o fundamental completo. É muito difícil conciliar escola, trabalho e casa. Mas a primeira oportunidade que eu tiver, quero ir atrás disso e fazer ainda muita coisa na minha vida.”

Mulheres Mil – O projeto foi criado em 2004 pelo Colleges and Institutes Canada (CICan – sigla em inglês), à época Associação dos Colleges Comunitários Canadenses (ACCC), em parceria com 12 institutos federais brasileiros, das regiões Norte e Nordeste. A iniciativa mobilizou instituições dos dois países durante a fase piloto, entre elas o Conif, o Ministério da Educação (MEC), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional. Em 2011, o MEC instituiu o programa nacionalmente, tendo a Rede Federal como referência no país.

Baseado nos eixos educação, cidadania e desenvolvimento sustentável, o Mulheres Mil tem como principais segmentos: possibilitar o acesso à formação; promover a elevação de escolaridade; contribuir para a redução de desigualdade sociais e econômicas de mulheres; promover a inclusão social; defender a igualdade de gênero; combater a violência contra a mulher.

Marina Luísa Oliveira

Assessoria de Comunicação

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