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Ex-aluno autista conta sobre apoio que recebeu do CPII

“A minha percepção da vida mudou. Eu conheci pessoas com classes sociais diferentes, com histórias diferentes. Posso dizer que meu mundo cresceu, antes conhecia pouco dele. A escola me formou muito como pessoa”. Diagnosticado com autismo há quatro anos, o ex-aluno do Colégio Pedro II (CPII) Yuri Nascimento Souza, 17 anos, contou ao Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) sobre a experiência que viveu no local. Segundo ele, durante os três anos de Ensino Médio foi bem acolhido por professores e colegas, sentindo-se “em casa”.

Apesar de o carioca ter se identificado com o colégio, ele admite que a adaptação no primeiro foi desafiadora: era tímido e também tinha dificuldade de se comunicar com as pessoas. “Quando entrei, só conhecia quem era da minha turma. Mas no final daquele ano muita gente já sabia quem eu era. A partir disso, passei a viver a escola: ficava estudando ou então conversando com alguém durante o dia. Preenchia meu tempo de alguma forma e não queria nem voltar para casa.”

Yuri disse que, inicialmente, também teve problema com baixo rendimento escolar. No entanto, recebeu apoio do CPII e conseguiu recuperar as notas baixas. “No primeiro ano do Ensino Médio a minha média era ruim, mas eu consegui um atendimento especial. À época, o diretor e a equipe me ajudaram muito. Eles estavam ali para me ensinar e não pelo trabalho em si”.

A mãe do carioca, Eliane Nascimento, percebeu que o filho teve uma melhora após começar os atendimentos no colégio e estreitar a relação com os colegas. “Tudo isso contribuiu muito para a formação do Yuri. Chegou um momento que ele não precisava mais de acompanhamento, conseguia estudar sozinho e as pessoas também passaram a se aproximar dele, o que refletiu diretamente nos estudos. Se fosse em outro colégio, acho que ele não teria conseguido evoluir tanto. Ele realmente conseguiu dar a volta por cima.”

Atualmente, Yuri estuda Matemática (Licenciatura) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele ingressou na universidade aos 16 anos e está no terceiro período do curso. O universitário disse que a transição do CPII para a UFRJ ainda passa por adaptações. “Eu não queria terminar minha fase no colégio. Eu me sentia em casa, me sentia bem. A universidade tem um mundo muito mais amplo, a gente convive com pessoas diferentes a cada dia.

Mas isso não é motivo de desânimo para o futuro professor de matemática. “Esse curso é o que eu faço de melhor, não tenho outra escolha. Eu quero dar aula, quero ensinar as pessoas. Sempre gostei de fazer isso, desde a escola, e me vejo trabalhando com a sociedade. Eu já consegui melhorar muito minha timidez e acho importante parar de pensar muito nas coisas e começar a fazer.”

Outra aluna do CPII – Isadora Costa Nogueira, 18 anos, é estudante do Colégio Pedro II desde criança. A mãe, Consuelo Costa, disse que a estudante ingressou na escola por meio de um sorteio. Inicialmente, ela disse que sentiu receio de a filha ser “só mais uma” no lugar. Porém, a realidade foi outra: “a diretora que ocupava o cargo naquele momento me passou segurança e deu todo o suporte que nossa família precisava. Eu desconhecia ainda o que minha filha tinha e a escola levantou a suspeita de autismo. Mas eles tiveram o diferencial de me instruir. Foi então que conseguimos obter o diagnóstico e realizar os acompanhamentos apropriados para o quadro da Isa.”

Apesar de Isadora passar por algumas dificuldades, graças ao apoio da escola ela melhorou o desempenho e, assim como Yuri, também a relação com os colegas e professores. “Ela vai e volta da escola sozinha. A rotina da Isa é normal, como de qualquer outra adolescente. Ela chega mais cedo para ter aula de reforço e depois passa o dia inteiro, só chega por volta das 18h30 em casa”, disse Consuelo.

Isadora está fazendo o primeiro ano de Ensino Médio no CPII e já pensa no curso que quer fazer quando entrar na faculdade: moda ou arquitetura. Segundo a mãe, a estudante sempre teve facilidade em criar e desenhar. “Meu sogro é arquiteto e observa os trabalhos desenvolvidos pela Isa e diz que ela tem muito jeito para a área. Quando tinha uns sete anos, fez uma maquete com massinha de modelar da orla de Copacabana, toda detalhada. Não parecia que tinha sido feita por uma criança da idade dela na época, ficou incrível.”

Apoio da Rede Federal – O Colégio Pedro II é uma das 41 instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Nele, é possível encontrar exemplos de atendimentos a estudantes em condições especiais. De acordo com a coordenadora geral do Napne (Núcleo de Atendimento das Pessoas com Necessidades Específicas) do CPII, professora Maria Aparecida Lima, “o colégio tem o dever de acolher todos os alunos”. “É preciso ver qual é a necessidade específica de cada um e procurar a melhor forma, melhor recurso, a melhor estratégia pedagógica para poder atender”, disse.

“Eu acho que quando a gente fala Napne, esse ‘P’ é bem pertinente porque também envolve os professores. Pessoas da minha geração não tiveram essa formação na escola. Aliás, esses alunos não ocupavam locais de ensino. Ou quando entravam, não ficavam muito tempo. Então eu acho que nós, professores, também precisamos desse apoio. O Napne é um grupo de pessoas que está lá para poder dar esse apoio aos alunos, as famílias, aos professores”, concluiu.

Marina Luísa Oliveira

Assessoria de Comunicação

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