LOGO PORT1 LOGO ENGLISH32px LOGO ESP1

Dia do Historiador: a importância de quem ensina e ajuda a preservar a memória

Imagem publicada no Jornal O Estado do Pará em 6 de abril de 1924 (*)

Você sabia que durante muito tempo usou-se a expressão “República Velha” para designar o período compreendido entre a implantação da República no Brasil e a Revolução de 30 (1930) e que agora o termo designado para o lapso de tempo é “Primeira República”?

A explicação é de Raimundo Nonato de Castro, professor de História do campus Belém do Instituto Federal do Pará (IFPA). Neste 19 de agosto, data em que se comemora o Dia do Historiador, ele aborda na entrevista a seguir questões relevantes sobre a História não só como disciplina, mas também no contexto da Rede Federal.

- Os cursos de licenciatura e graduação em História ainda são muito procurados?

Os cursos citados ainda têm se mostrado atrativos. Para termos uma ideia, nos últimos vestibulares, tanto para as universidades públicas quanto para as faculdades particulares nos Estados e nacionalmente, o número de candidatos por vaga aumentou consideravelmente. A atuação desse profissional vai além da sala de aula, podendo ele atuar em diversos cargos e funções. O IFPA oferta o curso de licenciatura em História no campus de Conceição do Araguaia atendendo à demanda da região.

- O ensinamento da História sofreu alguma mudança?

Nos últimos anos a historiografia trouxe inúmeras novidades acerca do conhecimento histórico e, consequentemente, ocorreu a inclusão de várias temáticas relacionadas ao ensino da disciplina.

Um exemplo claro vem por conta de mudanças conceituais. Há tempos a historiografia utilizava a expressão “República Velha” para designar o período compreendido entre a implantação da República (1889) e a Revolução de 30 (1930), mas passamos a empregar o termo “Primeira República”.

- No âmbito da disciplina qual projeto do IFPA pode-se destacar?

Existem diversos projetos em andamento e finalizados. A título de exemplo, o campus Belém aprovou e financiou uma série de propostas de pesquisa ou extensão na área de História e interdisciplinar.

Aprovei o projeto “Arte e política: a caricatura na revista A Semana 1920-1925” pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo campus. O estudo relaciona caricaturas e sua relação com a política em Belém do Pará entre 1920 e 1925.

Esse projeto, que contou com a participação de estudantes dos ensinos médio integrado e do superior, resultou na publicação de artigos e resumos. A temática ainda foi objeto de investigação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de uma discente do curso superior e inspirou muitos jovens a cursarem a graduação.

Isso demonstra que desenvolvemos muitos projetos de pesquisa de excelência e que alcançam maravilhosos resultados, não ficando restritos ao campus e ao IFPA, tendo em sua essência a preparação de estudantes para um caminho que valoriza o conhecimento científico.

Outro exemplo é a participação dos discentes na Olimpíada Nacional de História, com muitos projetos e professores envolvidos, demonstrando, portanto, a relevância da disciplina na formação dos discentes e seu interesse pela pesquisa.

- Qual a importância da preservação da história e do papel do historiador, principalmente na atualidade caracterizada por informações e imagens líquidas?

A História enquanto ciência mostra-se cada vez mais necessária, posto que para compreender esse tempo carregado de inúmeras informações e recheado de imagens líquidas, muitas inclusive sem fundamento, apresenta uma necessidade de preservação da história; e o papel do historiador é contribuir com a organização do conhecimento de modo a evitar a propagação de inverdades.

Como disse o historiador Lucien Febvre, a “história é filha do seu tempo”. Cada época apresenta os seus temas, de modo que são as inquietações e convicções da época que devem prevalecer em relação aos denominados “tempos memoráveis”, ou seja, não são as grandes obras nem os grandes homens que fizeram a história sozinhos porque a construção histórica se dá a partir da participação efetiva das atividades humanas, e não só da dimensão política.

Historiografia – O termo historiografia é composto a partir dos termos “história” (pesquisa) e “grafia” (escrita). Sendo assim, o próprio nome já contém o sentido mais claro da expressão, isto é, “escrita de uma pesquisa” ou “pesquisa que precisa de uma forma escrita, de uma narrativa”, e de forma sucinta: uma escrita da história.

* A caricatura integra o projeto “Arte e política: a caricatura na revista A Semana 1920-1925”. A imagem é de Andrelino Cotta, nascido no município paraense de Cametá em 1886. Ele foi pintor, professor, violoncelista, escritor e capista, tendo falecido em Belém, em 1972.

*Raimundo Nonato de Castro atua no campus Belém desde 2014. É doutor e mestre em História Social da Amazônia pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Pará (UFPA). Autor de diversos artigos científicos publicados em revistas acadêmicas no Brasil e na Europa, o docente tem ampla experiência na área de história do Brasil República.

Bárbara Bomfim

Assessoria de Comunicação

Conif

(61) 3966-7230

 

 

 

SCS, quadra 2, bloco D, Edifício Oscar Niemeyer, térreo, lojas 2 e 3. CEP: 70316-900. Brasília – DF – Brazil

       ​Secretariat Executive
    (61) 3966-7220
   conif@conif.org.br

       ​​Social Communication and Events Advisory
    (61) 3966-7230
   ​comunicacao@conif.org.br

       ​​​International Relations Advisory
    (61) 3966-7240
   ​internacional@conif.org.br