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Defesa pela autonomia e fortalecimento da Rede Federal deram o tom de resistência ao encerramento da Reditec 2019

encerramentoApós quatro dias de intensa programação, o Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC Câmpus Florianópolis-Continente sediou nesta quinta-feira (12), o encerramento oficial da 43ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Reditec), que abordou o tema “Mãos que fazem, mentes que transformam: 110 anos da Educação Profissional no Brasil”.

Cerimônia iniciou com a leitura da Carta da 43ª Reditec redigida durante o evento. O documento lido pela reitora do Instituto Federal de Santa Catarina, Maria Clara Kaschny Schneider, destacou a relevância nacional e consolidação da Rede Federal de Educação, Profissional e Tecnológica que, neste momento de incertezas e tensões, deve lutar por sua autonomia institucional e pela garantia do financiamento da educação pública como dever constitucional do Estado. Da mesma forma que a Reditec deve ser vista como fortalecimento da Rede Federal.

Em seguida, o presidente do Conselho Nacional de Diretores das Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais (Condetuf), Zilmar Rodrigues de Souza revelou sua alegria após a apreensão ao vir para a Reditec diante do contexto sociopolítico. “Foi uma grata surpresa encontrar poesia nos trabalhos que deram uma leveza ao evento. Assim como um grupo orquestral, pude ver aqui a equipe da Rede Federal com princípio de coletividade e individualidade na condução de todos as atividades. Obrigada por nos receber. E, mesmo com tantas adversidades, que possamos comemorar mais 10 anos na busca de novas conquistas”, relatou Souza.

“Esta edição teve menor número de participantes. Entretanto, um grande significado. Acompanhamos todas as dificuldades na organização, foram dois anos desafios como serão as próximas edições. Reconheço e agradeço a contribuição e relevância de cada participante, sejam os gestores, os organizadores e a comunidade acadêmica. Saio feliz e satisfeito”, enfatizou o presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Jerônimo Rodrigues da Silva, reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), ao fazer um breve histórico de todas as edições da Reditec iniciadas em 2009.

Reitor substituto do Instituto Federal Catarinense (IFC), Fernando José Garbuio, destacou a perseverança das equipes na organização do evento diante de tantos desafios. “Passamos por diversas emoções, mas deixamos um grande legado, principalmente para o campus. Foi a primeira vez que tivemos a participação efetiva dos estudantes na organização da Reditec e que este modelo possa ser replicado em outros eventos. Parabenizo também todos os servidores pela organização e condução das atividades. Obrigada aos que aceitaram esse desafio e estiveram aqui conosco”, enfatizou Garbuio.

“Missão cumprida! Enfrentamos um cenário difícil, mas conseguimos com apoio dos servidores dos dois institutos. Hoje somos mais do que irmãos, o evento nos aproximou intensamente e que esses nós não se desfaçam. Perdemos e número de participantes, mas ganhamos em união em toda a Rede. Tivemos momentos de intensos debates, mas todos com respeito. É bom ver que defendemos nossas ideias e a instituição com emoção. Particularmente fiquei muito feliz ao ter minha sugestão de slogan do evento escolhido: a Rede Federal está nas nossas ‘Mãos que fazem e mentes que transformam’. Assim, concluímos essa edição”, ressaltou a reitora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Maria Clara Kaschny Schneider ao ser aplaudida de pé.

Final com tom festivo seguiu com a apresentação artística da Banda IF Musical, composta por estudantes do Instituto Federal Farroupilha – IFFar Campus Santo Augusto, do Rio Grande do Sul, com repertório de músicas do pop e rock nacionais e internacionais.

Próximas edições da Reditec

Durante a cerimônia foram apresentadas as próximas edições do encontro. Em 2020, o Instituto Federal do Pará (IFPA) sediará a 44ª Reditec. “Será a primeira vez da Reditec na região Norte. Realizar essa reunião na amazônia tem um significado especial para reforçar a interiorização da Rede Federal, além de oportunizar que conheçam Belém do Pará. Venham para Reditec 2020″, convidou Claudio Alex Jorge da Rocha, reitor do IFPA após destacar o sucesso e coragem das instituições catarinenses na realização da edição de 2019.

Rosane Fernández, diretora do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) Campus Campo Grande, apresentou a candidatura de Campo Grande como cidade-sede da Reditec 2021. “Convido vocês para estarmos no coração do Brasil em 2021. Região com uma grande infraestrutura turística para receber a todos”, defendeu Fernández.

Reditec 2019

Promovida pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), com o apoio Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), esta edição da Reditec foi organizada pelos Institutos Federais Catarinense (IFC) e de Santa Catarina (IFSC). A programação segue na sexta-feira, dia 13, com seis visitas técnicas programadas para as cidades de Florianópolis, Palhoça e Camboriú.

Acesse o site do evento e confira todas as atividades que foram realizadas durante a semana.

110 anos acompanhando as mudanças de seu tempo

oficina alfaiatariaUma história que já ultrapassa um século com várias nomenclaturas, institucionalidades, marcos legais e objetivos pedagógicos, mas que mantém o foco na formação qualificada para o trabalho, na inclusão social, no desenvolvimento humano e na intervenção na sociedade. Desde a criação das antigas Escolas de Aprendizes Artífices pelo presidente Nilo Peçanha, em 23 de setembro de 1909, a educação profissional e tecnológica vem transformando vidas Brasil afora. E em ritmo cada vez mais intenso, pois as 19 escolas originais foram apenas o embrião para os atuais 643 câmpus pertencentes a 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, rede de impressionante capilaridade que atende a mais de 1 milhão de estudantes e possui cerca de 80 mil servidores, segundo dados do Conif.

Não há dúvidas da importância da atuação dessa imensa rede na transformação do longínquo Brasil de 1909, pós-escravocrata e recém-republicano, na nação atual. Na época, mais de dois terços da população, que então contava com 2,3 milhões de pessoas segundo registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eram totalmente analfabetos. Apenas 3% da população tinha acesso à educação formal – uma mínima parte, 0,1%, à educação profissional. A industrialização engatinhava e formar trabalhadores qualificados era urgente. No Brasil industrializado de hoje, com mais de 200 milhões de habitantes, os analfabetos ainda equivalem a 6,8% da população, quadro que vem sendo gradualmente revertido com a implementação de políticas públicas como a expansão e o fortalecimento da Rede Federal de EPT.

Atualidade

jadir pela IFES 1Com história de vida fortemente ligada à do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), o atual reitor da instituição, Jadir José Pela, orgulha-se de seus 45 anos de vínculo com a rede federal. Ele conta que foi aluno do curso técnico em Mecânica na antiga Escola Técnica Federal do Espírito Santo entre 1975 e 1977, tornando-se depois professor da instituição e acompanhando todas as mudanças de institucionalidade até a atual.

“Conheço e participei da discussão, da institucionalização dos Institutos Federais de um modo geral, pelo Brasil afora, mas especialmente da constituição do Instituto Federal do Espírito Santo. Tenho nítida compreensão do que é uma escola técnica, um Cefet, um instituto federal, quais são os objetivos e características de um e de outro. Os institutos federais hoje têm uma característica marcante na verticalização da educação profissional, da formação inicial e continuada até o doutorado, com característica para a pesquisa aplicada, os mestrados profissionais, toda essa verticalização que nós participamos”, comenta.

Para o reitor do IFES, as mudanças de institucionalidade demonstram a capacidade das instituições de educação profissional de se manterem atuais. “Essas mudanças são necessárias porque demonstram que nós somos uma instituição atual. Nós temos um passado maravilhoso, mas a gente não vive do passado. A gente vive o presente. E olha para o futuro. As mudanças que nós tivemos sempre nos colocaram numa situação de atualidade, olhando para as coisas que estão acontecendo no mundo, as tecnologias, as relações com o mundo do trabalho, as relações que devemos ter com a forma de conduzir as coisas. Muita coisa muda e nessas mudanças precisamos adequar nossa atitude. Eu creio que com 110 anos nós somos uma instituição atual e relacionada com o mundo onde vivemos, o país, cada região onde os câmpus estão, os estados”, salienta.

Interiorização

Também veterano na Rede, o reitor do Instituto Federal do Pará (IFPA), Claudio Alex Rocha, está na instituição desde 1993 e considera que a história dos Institutos, com sua amplitude de níveis e modalidades de oferta, é um grande diferencial. Ele destaca também a interiorização do ensino, que avançou muito ao longo dos 110 anos da Rede.

claudio alex reitor IFPA 1

“Falando do Pará, um estado que tem o tamanho de duas Espanhas, interiorizar a educação profissional e tecnológica naquele estado e em todo o Brasil tem representado um ganho social muito grande, na medida em que leva ensino, pesquisa e extensão, leva à resolução de problemas locais. A a relação muito estreita com o território, a extensão tecnológica, tudo isso vem se transformando ao longo dos anos e mais recentemente nos últimos dez anos dos institutos, em que a gente pôde alcançar um Brasil profundo e também mudar a concepção das ofertas, projetar isso pra pesquisa, pra extensão e também para a inovação, ou seja, acompanhando as mudanças do nosso tempo”, considera o reitor.

Na fronteira e na floresta

sandra mara IFRR 1Primeira mulher a assumir como gestora máxima do Instituto Federal de Roraima (IFRR), Sandra Mara de Paula Dias Botelho testemunhou não só as mudanças de institucionalidade do atual IF, mas do próprio estado de Roraima, que, na época de criação da Escola Técnica, em 1986, ainda era um território federal. A primeira mudança foi, então, a adequação da institucionalidade após a Constituição de 1988, quando o território tornou-se Estado da Federação, e a escola técnica – que, a princípio, pertenceria ao Estado – passou a ser Escola Técnica Federal – isso já em 1993.

Roraima ainda hoje é o estado com menor densidade populacional do país, com cerca de 600 mil habitantes, e está em área de Amazônia Legal, na fronteira com a Venezuela. De acordo com a reitora Sandra, os desafios a enfrentar naquela região são grandes, assim como as possibilidades de trabalho. No IFRR, começam a ser desenvolvidas pesquisas na área de energias alternativas – em Roraima, a energia elétrica é fornecida pela Venezuela ou produzida por termelétricas – e já há excelentes resultados nos trabalhos de pesquisa e extensão na área da agricultura familiar. “Nós temos uma marca forte. As pessoas acreditam no nosso trabalho e nós temos uma demanda. Estamos transformando a vida de muitas pessoas”, ressalta Sandra.

Sustentabilidade na Rede Federal é tema de painel na Reditec

painel4 reditecA rede de educação profissional e a sustentabilidade no rumo da Agenda 2030 foi tema do quarto e último painel da 43ª Reunião dos Dirigentes das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Reditec). O professor do Instituto Federal de Brasília (IFB) e assessor especial do Núcleo Estruturante da Política de Inovação (Nepi) da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), Marco Antônio Juliatto, apresentou o programa para Desenvolvimento em Energias Renováveis e Eficiência Energética na Rede Federal (EnergIF).

O EnergIF busca induzir a cultura do desenvolvimento de energias renováveis e eficiência energética na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT). Ele se estrutura em cinco eixos temáticos: engajamento e difusão; formação profissional; gestão de energia; infraestrutura; e pesquisa, desenvolvimento, inovação e empreendedorismo. Entre as ações já tomadas, estão a capacitação de estudantes e professores e o apoio na colocação de paineis solares em unidades da Rede.

Juliatto destacou, com números, a importância da adoção de energias renováveis na RFEPCT. Segundo levantamento apresentado por ele, em 2018 as instituições da Rede gastaram R$ 167,9 milhões com contas de energia elétrica. Por meio das energias renováveis (como a solar ou eólica, por exemplo), as instituições podem gerar sua própria energia e economizar.

O professor do IFB falou, ainda, sobre o potencial das energias renováveis no Brasil. Ele informou que aproximadamente 75% da energia gerada na região Nordeste é eólica. Já um dado da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), organização intergovernamental que apoia países na transição para um futuro sustentável em energia, apontou que em 2018 o Brasil foi o segundo país que mais criou ofertas de emprego na área de fontes renováveis de energia.

Mesmo assim, mostrou Juliatto, o tema energias renováveis ainda tem pouco espaço na RFEPCT. Em 2018, foram apenas 1.099 matrículas – de um total de quase 1 milhão na Rede – em cursos ligados à área. “Temos uma oferta de vagas muito pequena”, ressaltou. Por outro lado, o potencial da Rede é grande, destaca o professor, pelo seu tamanho (661 câmpus) e capilaridade, pois está presente em todos os estados do País, tanto em capitais como no interior.

Para saber mais sobre o EnergIF, visite o site do programa.

Embrapii

Também painelista, o diretor-geral do polo da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Rubipiara Cavalcante Fernandes, apresentou a Embrapii e as possibilidades de parceria da empresa com as instituições da Rede. A Embrapii apoia financeiramente projetos que são desenvolvidos em conjunto com empresas e instituições credenciadas. Atualmente, ela possui nove polos na RFEPCT e deve abrir em breve chamada pública para implantar mais cinco.

A Embrapii atua em cinco áreas: biotecnologia; materiais e química; mecânica e manufatura; tecnologias aplicadas; e tecnologia da informação e comunicação. No modelo de negócios que ela pratica, um terço do projeto é financiado pela própria Embrapii e o restante é de responsabilidade das empresas e das unidades (polos) credenciadas. Até o fim de agosto, ela já havia financiado 777 projetos em todo o país, dos quais 115 na RFEPCT, que renderam 22 pedidos de patentes.

Os projetos desenvolvidos com apoio da Embrapii envolvem desde startups até grandes empresas, como Embraer e Petrobras, em parceria com instituições de ensino. “Todo projeto Embrapii tem que envolver alunos e professores da unidade credenciada. Cada polo tem uma área-foco: o objetivo não é trabalhar com todas as áreas de competência da instituição”, explica Rubipiara. Nos projetos dos quais participam os polos da RFEPCT, 60% dos parceiros são startups e microempresas, 25% empresas grandes e 15% empresas médias.

Conheça mais sobre a Embrapii no site da empresa.

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