Com o tema “Acesso, Permanência e Êxito na Educação do Campo”, o IV Seminário Nacional de Educação Agrícola e do Campo teve início nesta quarta-feira, 19, no Auditório Governador Divaldo Suruagy, próximo ao Campus Marechal Deodoro do Instituto Federal de Alagoas (Ifal).
Promovido pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), por meio do Fórum de Educação do Campo (Forcampo), o evento segue por três dias com o objetivo de integrar saberes, trocar experiências e fortalecer políticas públicas para o setor. A agenda reúne dirigentes da Rede Federal, representantes do Governo Federal, pesquisadores e estudantes em debates, relatos de experiências e momentos de integração.
A programação também prevê visitas técnicas a referências da produção agrícola e da história alagoana, como a Cooperativa Pindorama, a Fazenda Multimodelo, a Fazenda de Agroecologia, a Serra da Barriga e o Campus Satuba do Ifal.
Solenidade de abertura
A cerimônia de abertura contou com a apresentação da Filarmônica Jovem do Ifal - Campus Marechal Deodoro. O professor José de Oliveira Filho destacou que o grupo valoriza a identidade regional ao priorizar o repertório de artistas locais, preservando o patrimônio artístico de Marechal Deodoro enquanto forma novos músicos. Também foi apresentada a mística do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), uma expressão cultural e pedagógica, com elementos conectados às lutas sociais e à identidade coletiva das famílias do campo.
Após a apresentação, a mesa de honra foi composta por autoridades da Rede Federal e gestores locais. Representando o reitor Carlos Guedes, o pró-reitor de Extensão, Gilberto Gouveia Neto, destacou o tema do evento, que sintetiza a própria missão da Rede Federal.
"O acesso significa derrubar barreiras históricas e sociais e garantir que essa educação de qualidade chegue a quem mais precisa. O acesso sem a permanência é uma promessa vazia. Essa permanência vai além das políticas estudantis. E o êxito não se resume apenas a entregar o certificado ou o diploma aos nossos estudantes. É formar os profissionais, cidadãs e cidadãos que possam desenvolver a sua comunidade e transformar essa sociedade", explicou.
A reflexão também foi abordada pela professora Rosemere Scalabrin, do Instituto Federal do Pará (IFPA) e integrante do Forcampo. Ela enfatizou a necessidade de adaptar as estratégias educacionais às especificidades territoriais, citando comunidades quilombolas e indígenas como prioridades de inclusão. "Nós vamos sair daqui com uma carta de Marechal Deodoro e nós pretendemos levar as principais questões que orientam nossas ações daqui para o próximo seminário", destacou.
Representando a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), Pierry Teza abordou o panorama nacional da educação agrícola.
"A gente vê as unidades agrícolas como um ativo bastante estratégico para o país. O nosso desafio é fazer com que esse patrimônio produza cada vez mais valor público. E a gente precisa olhar para esses cursos e perguntar: quem estamos ajudando a construir? Que profissionais nossos territórios precisam hoje? E de quais profissionais o Brasil vai precisar daqui a 20 anos? E é aqui que essa discussão encontra espaço bastante fértil", pontuou.
Para o presidente da Comissão Organizadora e diretor-geral do Campus Batalha, Magno Abreu, as especificidades de um campus agrícola representam um desafio para os gestores, mas também geram oportunidades de vida e moradia para os estudantes do campo. "Nós vamos ver o reflexo das nossas discussões e das nossas ações daqui a cinco, seis anos", afirmou.
Também integraram a mesa de honra a secretária de Turismo de Marechal Deodoro, Claudia Pessoa, e o representante do Movimento Sem-Terra (MST), Gustavo Marinho.
Relatos de experiências
Ao todo, foram selecionados 48 relatos de experiências para apresentação durante o seminário. A iniciativa busca dar visibilidade a práticas voltadas ao acesso, à permanência e ao êxito de estudantes dos cursos de Ensino Médio Integrado (EMI) e de Ensino Superior (licenciaturas e tecnológicos) no âmbito da Educação Agrícola e do Campo.
Entre os trabalhos, três foram inscritos pela professora Gil Couto, do Campus Breves (IFPA). As pesquisas tratam do uso da pedagogia da alternância na construção de saberes na licenciatura em Educação do Campo. A docente viajou acompanhada de três estudantes, uma quilombola e dois ribeirinhos. "Todos são filhos de agricultores familiares. Eles estão estudando, vão se formar e vão voltar para o campo", celebrou.
Diretoria de Comunicação do Conif
Texto e Foto: Elaine Rodrigues | Equipe de Comunicação do Ifal
