Conif esclarece informações sobre os Institutos Federais após declarações em programa da GloboNews

Em um ano eleitoral ainda marcado pela polarização política, o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), que reúne os dirigentes dos Institutos Federais, dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e do Colégio Pedro II, manifesta preocupação com as declarações do economista Marcos Mendes feitas no telejornal Edição das 18h, desta quarta-feira (11/3), marcadas por desinformação sobre o papel e o funcionamento dos Institutos Federais.


Os Institutos Federais constituem uma política pública bem-sucedida de educação profissional, científica e tecnológica, com impacto comprovado na trajetória acadêmica dos estudantes, na inserção no mundo do trabalho e no desenvolvimento regional. As instituições passam por um processo contínuo de expansão, e é importante destacar que a criação de novos cargos tem como objetivo fortalecer e ampliar a oferta de educação profissional e tecnológica em todo o país. As afirmações recentes não correspondem à realidade da Rede Federal.


Diante disso, é importante esclarecer:


1 - Ao afirmar que os IFs seriam “mini universidades”, o economista ignora o modelo educacional próprio dessas instituições. Criados pela Lei nº 11.892/2008, os Institutos Federais têm a missão de integrar educação básica, técnica e superior em uma mesma instituição, sempre articuladas às demandas do mundo do trabalho e ao desenvolvimento regional.


A legislação determina que no mínimo 50% das vagas sejam destinadas à educação profissional técnica de nível médio, com prioridade para cursos integrados ao Ensino Médio. Outros 20% devem ser voltados à formação de professores da educação básica, especialmente em áreas estratégicas como matemática, física, química e biologia.


Os cursos de graduação, em geral tecnológicos, algumas engenharias e bacharelados específicos, ocupam cerca de 30% da oferta, juntamente com a pós-graduação, concentrando-se em áreas de ciência, tecnologia e inovação ligadas às vocações econômicas e sociais de cada região.


2 - Indicadores educacionais mostram que estudantes da Rede Federal apresentam desempenho acima da média nacional em avaliações como o Exame Nacional do Ensino Médio e o Programme for International Student Assessment (PISA).


Os resultados evidenciam a qualidade do modelo educacional adotado. Se considerada isoladamente, a Rede Federal teria desempenho comparável ao de sistemas educacionais de países que ocupam as primeiras posições em rankings internacionais de educação.


3 - A criação dos Institutos Federais consolidou uma rede pública de educação profissional que hoje alcança todas as regiões do país, com forte presença no interior. Atualmente, a Rede Federal reúne cerca de 1,8 milhão de matrículas.


Desse total, 85% dos estudantes têm renda familiar de até dois salários mínimos, o que evidencia o papel das instituições na ampliação do acesso à educação pública de qualidade. Mulheres e pessoas negras representam mais da metade do público atendido, reforçando o compromisso com a inclusão e a redução das desigualdades sociais.


4 - Cabe ressaltar, à luz das informações apresentadas, que os Institutos Federais também se destacam pela pesquisa aplicada e pela extensão, sempre orientadas às demandas regionais e aos desafios do setor produtivo. 


Professores, Técnicos Administrativos em Educação e estudantes desenvolvem projetos sociais, educacionais e culturais que beneficiam diretamente as comunidades onde as instituições estão inseridas, além de oferecerem serviços técnicos especializados, análises laboratoriais, consultorias e capacitações para empresas, organizações sociais e gestores públicos. 


Essa integração entre ensino, pesquisa e extensão fortalece o papel dos Institutos Federais como indutores do desenvolvimento regional e da inclusão social.


5 - Por fim,​ os processos eleitorais nas instituições da Rede Federal são reconhecidos pela transparência e pela segurança jurídica. Os dirigentes são escolhidos por voto direto e paritário, com participação de estudantes, professores e técnicos administrativos.


Esse modelo democrático assegura legitimidade às escolhas institucionais e reduz interferências políticas na gestão, respeitando a autonomia prevista em lei para as instituições federais de ensino.


Diante do exposto, o Conif ressalta a importância de que o debate público sobre educação seja pautado por informações corretas e dados verificáveis. Declarações imprecisas não contribuem para a construção de soluções para o país.


Os Institutos Federais são instituições públicas comprometidas com a oferta de educação gratuita, inclusiva e socialmente referenciada, que transforma vidas e fortalece o desenvolvimento econômico e social do Brasil. 


Brasília, 12 de março de 2026
Pleno do Conselho Nacional das Instituições da

Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif)

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